Reunião com uma visita especial…

Hoje tivemos a primeira reunião do grupo de investigação depois da pausa para férias e recebemos uma visita muito especial da Ema. Uma alegria  IMG-20180911-WA0000

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Notícias sobre atividades do GAPS | newsletter do Centro de Estudos Humanísticos

Na Newsletter do Centro de Estudos Humanísticos destaque para notícias sobre o nosso grupo de investigação:

  • Editorial de Ana Gabriela Macedo sobre o Maio de 68, com o título Maio de 68 – e o conceito de “Liberdade livre”. “C´était au temps des cerises”
  • Notícia sobre o Projeto IC&DT (do GAPS) aprovado pela FCT : “Mulheres, artes e ditadura – os casos de Portugal, Brasil e  países africanos de língua portuguesa”. Coord. Ana Gabriela Macedo. Grupo de Investigação em Género, Artes & Estudos Pós-coloniais (GAPS).
  • Nova publicação CEHUM do GAPS, Estudos Comparatistas e Cosmopolitismo: Pós-colonialidade, Traducão, Arte e Género, de que já aqui demos notícia.

Para ler esta e outras notícias na Newsletter do CEHUM, por favor, siga o link abaixo:
https://mailchi.mp/7f855847d0ea/newsletter-cehum-1?e=4a5c32c96b

Estudos Comparatistas e Cosmopolitismo: Pós-colonialidade, Tradução, Arte e Género

Já se encontra disponível a nova antologia de textos traduzidos do Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho. Esta que agora vem a lume, a quarta desta série editada pelo centro, foi produzida pelos membros do GAPS. O volume, organizado por Ana Gabriela Macedo, com o título Estudos Comparatistas e Cosmopolitismo, reúne um conjunto de textos da autoria de várias/os teóricas/os e críticas/os da área dos estudos comparados, dos estudos de género e das artes, focando, como é referido no texto introdutório, “os Estudos Comparatistas numa perspetiva contemporânea e localizada, problematizando-os no diálogo com o cosmopolitismo e o multiculturalismo, face às questões concretas colocadas pela Pós-colonialidade, pelos Estudos da Tradução, pela Arte e pelo Género” (p. 10).

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#IC 42

IC 42 Marcy Schwartz-1Associate professor and department chair of the Department of Spanish and Portuguese Studies at Rutgers University (USA), Marcy Schwartz specializes in 20th century Latin American literature and culture, with particular emphasis on urban studies, exile, and photography. Her current research concerns contemporary public reading programs in Latin American cities that rely on public space and urban infrastructure, the topic of her forthcoming book.

All-women art spaces in Europe in the long 1970s

original_477f8a72-727b-4a6f-baf7-1414fcb2a418A Liverpool University Press acabou de publicar All Women Art Spaces in the Long 1970s, editado por Agata Jabukowska e Katy Deepwell. O volume conta com contribuições de diversos países, incluindo Portugal. Márcia Oliveira, membro do GAPS, escreve sobre a exposição de artistas portuguesas realizada na Sociedade Nacional de Belas Artes em 1979.

A sinopse:

The texts gathered in this volume embrace women artists-only exhibitions, festivals, collective art projects, groups and associations, organised in the long 1970s in Europe (1968-1984). These all-women art initiatives are closely related to developments within the political and politicized women’s movement in Europe and America but what emerges is the varied and plural manner of their engagements with feminism(s) alongside their creation of ‘heterotopias’ in relation to specific sites/ politics/ collaborative art practices. This book presents examples from Italy, Spain, UK, Portugal, Austria, Poland, Denmark, Germany (East and West), The Netherlands, France and Sweden. While each chapter is largely devoted to one country, the authors point to how the local and specific political situation in which these initiatives emerged is linked to global tendencies as well as inter-European exchanges. Each chapter of this book thus assesses the impact of travelling views of feminism, by considering connections made between women artists (often when travelling abroad) or their knowledge of art practices from abroad. Distinct and highly varied attitudes towards political activism (from strong engagement to a clearly pronounced distance and even hostility) are shown in each essay and, what is more, they are shown as based on radically different premises about feminism, politics and art.

O índice:

Acknowledgements vii
Introduction 1
Katy Deepwell and Agata Jakubowska
1 Women Artists’ Collectives in France: A Multiplicity of Positions
in a Turbulent Context 19
Fabienne Dumont
2 Making Space for Feminism. All-Women Art Exhibitions in
Sweden in the 1970s 47
Annika Öhrner
3 Feminist Collaborative Projects in the UK in the 1970s 71
Katy Deepwell
4 ‘For Us, Art is Work’: In♀Akt – International Action
Community of Women Artists 96
Elke Krasny
5 The VBKÖ’s Archive as a Site of Political Confrontation, or How
Can You Sing Out of Tune? 119
Nina Hoechtl and Julia Wieger
6 The International Exhibition Kvindeudstillingen XX på
Charlottenborg in Copenhagen and the Idea of Feminist Art Space 144
Monika Kaiser
7 Heterotopian Spaces of Feminist Art Practice: The Schule
für kreativen Feminismus and the Stichting Vrouwen in de
Beeldende Kunst 167
Kathleen Wentrack
8 Women’s Art Spaces: Two Mediterranean Case Studies 189
Katia Almerini
9 Portuguese Women Artists at the National Society of Fine Arts:
Why Was This Not a Feminist Exhibition? 209
Márcia Oliveira
10 No Groups but Friendship. All-Women Initiatives in Poland at
the Turn of the 1980s 229
Agata Jakubowska
11 ‘And – I have not taken him’. The Erfurt Women Artists’ Group 248
Susanne Altmann
Notes on Contributors 269
Index 273

 

Turner Prize: Lubaina Himid faz história

framing feminism

A recente atribuição do prémio Turner, um dos mais prestigiosos e prestigiantes prémios de arte contemporânea, à artista Lubaina Himid (1954–) é, a todos os títulos, histórica: não só porque reflete a alteração das regras deste prémio, que este ano aceitou candidaturas de artistas com mais de 50 anos, mas também, e sobretudo, porque é a primeira vez que o prémio é atribuído a uma artista negra (sendo que no passado mulheres brancas, como Rachel Whiteread ou Gillian Wearing,  já tinham sido reconhecidas, assim como artistas negros, como Chris Ofili e Steve McQueen).  De facto, parece que só esta alteração das ‘regras do jogo’ permitiu a Himid obter a visibilidade e o reconhecimento que há muito lhe são devidos, prova de que o sistema estará a mudar (veja-se o que sucedeu após as denúncias de assédio sexual no contexto da indústria cinematográfica e no mundo da arte) mas também, e infelizmente, do pouco que já mudou desde a revolução feminista dos anos 70.

 

E na verdade, a obra de Himid é, em todos os sentidos – estético, político e social – notável e incontornável, como muito bem o já tinham percebido Griselda Pollock e Rozsika Parker, que no seu clássico estudo Framing Feminism (1995) convocam o trabalho de Himid para a sua capa e referem-na como uma das mais relevantes e empenhadas artistas a trabalhar nos anos 80, quer através da sua obra, quer no seu ativismo político, com que procurou dar visibilidade às mulheres artistas e ao racismo subjacente ao mundo da arte. As linhas mestras do trabalho de Himid são assim o entrecruzamento das questões de género e de raça em relação às experiências coloniais e pós-coloniais, insistente e pertinentemente desmascarando os subentendidos e não-ditos relativamente a estas diferenças localizadas, que, por sua vez, podem ser encontradas em sistemas discursivos tão diversos como a arte, a moda, e a cultura dos media. Esta última é abordada de forma irónica e subversiva em Negative Positives: the Guardian Archive, um trabalho realizado entre 2007e 2015 e em que a artista meticulosa e pacientemente intervém na superfície da imagem e do texto, de forma a desconstruir expectativas e hábitos culturais relativos à representação da diferença racial. Himid aborda ainda o papel central da economia dos corpos coloniais e colonizados, decantados particularmente no feminino, nos sistemas de produção e consumo ocidentais (veja-se a fantástica série de cerâmica Swallow Hard: The Lancaster Dinner Service, de 2007) e os vestígios ainda hoje existentes de um discurso e práticas coloniais na relação entre um centro europeu e um outro periférico, nomeadamente através da abordagem desassombrada que faz da escravatura na sua mega instalação Naming the Money, de 2004.

 

Por muitos considerada “a heroína sub-apreciada da arte negra britânica” (era este o título de um artigo sobre a artista publicado no Daily Telegraph em Fevereiro deste ano: http://www.telegraph.co.uk/luxury/art/lubaina-himid-trio-uk-shows-shines-light-under-appreciated-hero/), Himid, que nasceu em Zanzibar (antigo protetorado britânico) mas cedo emigrou para a Grã-Bretanha, tem uma obra extensa e multifacetada, destacando-se no domínio de novas linguagens estéticas como a instalação e favorecendo processos normalmente entendidos como menores e femininos: a cerâmica e o trabalho têxtil, por exemplo. Aliada à sua atividade artística, Himid tem ainda um extenso trabalho de curadoria e apoio a artistas que permanecem na obscuridade devido à sua diferença racial e de género. Professora de arte contemporânea na universidade de Central Lancashire, a artista foi agraciada com o título de Member of the British Empire em 2010 pelos serviços prestados à arte negra feita por mulheres. O reconhecimento do mundo da arte chega agora, em 2017.

 

MLC